domingo, 4 de março de 2012

1 mês em Deutschland: a vida caminhando em outro ritmo


A correria que eu vivo em Teresina por conta de trabalho, estudos, e a ausência de rotina que vivenciei no intercâmbio em Portugal, com os eventos acadêmicos, as festas e por quase todo dia conhecer alguém novo, nada disso tenho experimentado aqui na Alemanha (Deutschland, em alemão) desde que cheguei. A vida aqui tem andado num ritmo mais lento em relação àquilo que estou acostumada. E isso, por um lado, me deixa satisfeita, mas, por outro, inquieta.

Quando parece que as coisas andam meio paradas – ou mesmo quando acho que eu estou parada – fico apreensiva. Vivo numa cidade minúscula, onde o centro está sempre vazio, porque as pessoas mal saem de casa, onde a maioria daqueles que têm a minha idade já é casada e tem filhos (quanto a este dado posso até estar enganada, porque não consultei nenhuma pesquisa, mas foi o que eu observei).

Não tenho amigos aqui, não consigo me expressar muito bem ainda e, em alguns momentos, isso é meio desesperador. Mas, por mais contraditório que possa parecer, era algo assim que eu queria vivenciar. Se fosse para ser igual às experiências que tive em outros momentos, que graça haveria em ter me jogado de um continente a outro mais uma vez? Não, definitivamente, não quero viver da mesmice. Prefiro aquilo que me desafia, sempre.

E o principal desafio para mim aqui é a comunicação. Comecei a frequentar o curso de alemão intensivo há três semanas – um ritmo que, especialmente para mim, por ser um curso intensivo, se contrapõe à lentidão com a qual a vida parece passar nessa cidade pequena. Tenho aula de segunda à sexta, de 8h às 12h15, com pessoas que, diferentemente de mim, já têm uma vida na Alemanha, com família, filhos, trabalho. Dos meus colegas, o que vive há menos tempo no país já mora aqui há sete anos.

Quando cheguei, fiz um teste de nivelamento e consegui entrar no módulo 2 do curso, embora não tenha estudado todos os assuntos do nível 1, no Brasil. A coordenadora do curso, que fez um teste oral e escrito comigo, achou que eu seria capaz de acompanhar. E lá fui eu.

Acontece que, mesmo não falando tudo direitinho, com erros gramaticais e de pronúncia, meus colegas conseguiam, nas primeiras aulas, entender bem mais coisas do que eu. Você consegue imaginar a cena? Uma pessoa que chegou fazia uma semana em Deutschland, em meio a pessoas que estão há sete, 10, 14, 20 anos aqui? Ok. Respirei fundo e tentei manter a calma mesmo diante da cara de espanto de alguns professores que olhavam para mim como alguém que não deveria estar ali.

Depois de três semanas de curso, embora eu ainda fique “travada” na hora de falar diante dos professores, já consigo entender quase tudo e consigo conversar com meus colegas na hora do intervalo. Muitas vezes, inclusive, ajudo quando alguns não entendem a tarefa que o professor pediu para fazer. Acho que, aos poucos, tenho conseguido me “destravar” =)

Não sei ainda se vou estudar, fazer mestrado por aqui mesmo, depois dessa experiência como Au-Pair. Vou tentar, mais uma vez, deixar a vida me levar um pouquinho agora – pelo menos tentar... – e ver o que vem depois, porque as coisas não acontecem 100% igual ao que a gente planeja. E é aí onde reside a graça em se viver.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Teresina, copie esta ideia!


Com uma atitude simples e sem muitos custos, Teresina poderia melhorar um pouco a vida dos usuários de transporte público da cidade, que sofrem um bocado por terem como única alternativa um serviço de péssima qualidade, apesar do valor da tarifa. O pior é que tem gente que acha ruim quando pessoas dispostas a lutar por mudança bloqueiam uma avenida. Ainda existe muito ignorância – e gente que se aproveita dela...

Na Alemanha em todas as paradas de ônibus há tabelas indicando quais linhas e os horários em que os ônibus passam no respectivo local. Eu não vejo dificuldade alguma em fornecer este tipo de informação, que aqui também é disponibilizada na Internet.

O que falta mesmo é vontade, um controle maior da prefeitura sobre o Setut - e não o contrário - e, sobretudo, mais eficiência. Será que as empresas cumprem realmente com os horários que deveriam cumprir? Cansei de ficar até mais de 40 minutos esperando sob aquele sol maravilhoso, sem nenhuma sombrinha para amenizar a situação.

Espero que o movimento #contraoaumento não pare. Pelo que acompanho no Facebook – apenas pelo Facebook, porque, apesar de todos os dias acessar os sites de notícia de Teresina, não vejo mais nada tratando do assunto – ainda há manifestações acontecendo. Eu acredito na possibilidade de mudança para melhor, mesmo que ela demore a ser percebida.