Do que sinto

domingo, 1 de novembro de 2009


Peço desculpa pela atualização falha nos últimos tempos. A ausência de uma rotina na minha vida desde que cheguei a Portugal me deixa meio confusa. Mas vou tentar, dentro do que me for possível, manter as postagens do blog. Não falarei – pelo menos não neste texto – sobre a viagem a Paris. Se é pra transformar este blog em um “diário pessoal”, o farei de uma vez. Talvez os textos mais “técnicos” (ou não-pessoais) voltem a ser publicados depois que essa minha experiência aqui acabar e eu voltar ao Brasil. Mas, agora, quero falar do que sinto. Não reparem se não entenderem algumas das coisas que nele falo, pois esta é também uma espécie de desabafo...

Já faz um mês e dez dias que cheguei a Portugal. Muita coisa aconteceu neste espaço de tempo, ainda que relativamente curto. Parece que as emoções ficam mais fortes e os sentidos à flor da pele quando se está longe de casa e longe de tudo com o que se está acostumado. No início, parecia até mais uma viagem como as outras – um pouco mais demorada, mas parecia ser uma viagem como as que havia feito antes –, mas aos poucos a “ficha” foi caindo.


Michelly, Laila, Ricardo, Gabi – e agora a Bárbara – são os amigos mais próximos. São minha família aqui. Pessoas com quem tenho dividido as dúvidas, os medos, as alegrias e os mais diversos momentos vividos nos últimos 40 dias. Brincando – mas com o fundo de verdade inerente a toda brincadeira… – Ricardo, eu e Laila chegamos a comparar nossa vida aqui a uma espécie de “Big Brother” (que coisa, né?): toda palavra tem um efeito maior, toda atitude pode ferir ou causar alegria de forma mais intensa, além do fato de que todo mundo (refiro-me aos residentes de Santa Tecla…) sabe do que o outro faz, fica todo mundo de olho… hehehe
Só que, diferente de um reality show, quem me vê aqui são apenas as pessoas com as quais convivo – e as que moram na residência... Então, foda-se! (aqui “foda-se” é uma expressão pronunciada uma vez a cada cinco palavras ditas…) Quero mais é viver intensamente e aproveitar as oportunidades que me têm surgido. Estudar, conhecer, aprender, falar mais, sem medo de julgamentos…
Apaixonar-me, decepcionar-me, iludir-me, desiludir-me, sem medo do que vem depois. Sem compromisso. Ou melhor, com o compromisso de viver intensamente. Afinal, daqui a seis meses vou embora. Aliás, daqui a menos de cinco meses. E a maioria dos que estão aqui também vão embora na mesma época. Parece até que vivo agora uma vida “paralela” à minha existência real. Uma oportunidade também de descobrir quem sou eu e o que eu quero (?).


Mesmo nas horas difíceis, como quando bate a saudade ou quando eu me decepciono aqui, há um lado bom. A saudade é um sinal do amor que sinto por quem está longe e cada decepção me mostra mais sobre o ser humano, seja ele vindo do meu país ou não. Meus erros também ficam mais perceptíveis para mim e, consequentemente, os pontos em que devo melhorar. Aqui não tenho medo de errar. O bom é que aqui encontrei pessoas que compartilham dessa ideia e que me ajudam a ter coragem de viver sem medo de errar – de toda experiência se deve obter um aprendizado. Não quero saber do que veio antes, nem do que vem depois. Quero saber de agora.


Uma certeza tenho: já não sou mais a mesma e a mesma também não serei quando voltar. O aprendizado, não apenas no âmbito acadêmico, tem sido constante. Todo dia uma nova lição. Já sorri quase sem parar e também já tive muita vontade de chorar (só que não consegui e fiquei com um nó dentro de mim…). Tenho aprendido com as situações e com as pessoas. E agradeço a todas elas, mesmo as que de alguma forma tenham me feito ficar triste – estas foram poucas até agora. Encerro este texto com uma declaração: Laila, Gabi, Michelly, Bárbara e Ricardo, isso aqui não seria a mesma coisa sem vocês.
P.S.: Brasil, me deixa ficar até a final! Quero ganhar um milhão!

► Leia mais...

Já em terras portuguesas!

terça-feira, 29 de setembro de 2009


Como falei na última postagem, saí do Brasil para Portugal a fim de fazer um intercâmbio durante seis meses. No texto de hoje, uma semana e meia depois de chegar a Braga, vou tentar falar sobre algumas coisas que mais me chamaram atenção, dentre várias, durante o início da viagem.

Começo pela percepção da diversidade cultural, que teve início quando ainda estava no Brasil. Chegando a Fortaleza, local onde eu embarquei no voo para Portugal, juntamente com dona Paixão e Denisy (mãe e irmã da minha amiga Michelly, respectivamente), a primeira coisa que fizemos foi irmos em busca de um “bolo de goma” ou “bolo de sal” para levar… Afinal, a Michelly estava há mais de um ano e meio sem comer bolo de sal e desejava muito ter de novo contato com a iguaria...
Para nossa surpresa, andamos por todos os comércios, padarias e mercados que estavam abertos e não encontramos o tal bolo. Aliás, ninguém nem sabia que bolo era esse que procurávamos. Comentamos sobre a nossa busca sem sucesso para a Irmã Denise, tia da Fabíola - amiga que nos arranjou um lugar onde ficar em Fortaleza até que chegasse a hora do nosso voo.

Irmã Denise, preocupada e muito prestativa, tratou de fazer o bolo! Ela nos contou que em Fortaleza realmente não se produz “bolo de sal”. Segundo ela, que morou cerca de 30 anos no Piauí, a guloseima é típica do nosso estado. Não sei para você, mas para mim essa foi uma surpresa! Enfim, graças à Irmã Denise, a Michelly pôde realizar seu desejo!

Reencontro

A viagem de Fortaleza a Lisboa – e, em seguida, a Porto – foi tranquila e até divertida. No avião havia uma tela que permitia aos passageiros jogar, ouvir música, assistir filmes ou acompanhar informações a respeito do percurso, como a distância que ainda faltava para chegarmos ao nosso destino, a temperatura externa, a velocidade da aeronave, dentre outras. Passei a viagem alternando entre rock, blues, samba, MPB e mantras indianos.

Chegamos a Lisboa numa segunda-feira, cedinho, e pouco tempo depois, após passarmos por um dos guichês da imigração, seguimos a Porto. Foi lá onde reencontramos a Michelly e a Fabíola, que aguardava seu filho Tiago – o Tiago foi aprovado para estudar na Universidade Politécnica do Porto. Como foi bom rever minha amiga Michelly… Imagino então a felicidade dela e da mãe ao se reencontrarem… Momento muito bom… Depois de nos encontrarmos e enquanto aguardávamos o Tiago, tomamos um café no aeroporto de Porto. E, claro, tiramos fotos (né Denisy???)! hehehehe

Chegada a Braga

De Porto, eu, Michelly, Dona Paixão e Denisy, seguimos para Braga, nosso destino. Pegamos um metro e depois um comboio. Já no caminho a Michelly saboreou um pouco do tão sonhado “bolo de sal”… Em Braga, enfim, almoçamos. E foi então que me instalei, guardei as malas e pude descansar um pouco. Mal sabia eu o quanto os dias seguintes seriam intensos…

Já na terça, eu, Ricardo e colegas que conheci na residência universitária – André, Gabi e Agnes – fomos passear em Porto. Aproveitamos o “dia da mobilidade europeia” que nos possibilitou andar de graça nos transportes públicos da cidade! Apesar de termos andado muito, ficou muita coisa ainda por conhecer em Porto, uma cidade um tanto confusa, com trânsito barulhento, mas com um charme especial e que me encantou…
Nos dias seguintes me dediquei às atividades da Universidade do Minho e a conhecer mais colegas de residência. Gente de vários lugares do mundo: Alemanha, Polônia, Hungria, Brasil, África, Espanha… Com muitos dos colegas a comunicação tem que ser através do inglês - a oportunidade está sendo boa também para isso: embora eu esteja num país de língua portuguesa, tenho a possibilidade de exercitar o inglês conversando com pessoas como a Agnes, uma polonesa muito gente boa.

Já comecei a assistir aulas na UMinho e até o momento tenho gostado. A universidade é bem organizada e atenciosa como os “erasmus” – é assim que eles chamam os estudantes de intercâmbio.

Ida ao Bom Jesus e ao Sameiro

No último final de semana, conheci Bom Jesus e o Santuário do Sameiro, dois locais que não visitei quando estive em Braga, em 2007. Dois lugares lindos! Impossível não fazer fotografias bonitas ali… A escadaria e tudo a volta da Igreja de Bom Jesus é deslumbrante. Em Sameiro, o que mais me encantou, além da arquitetura neoclássica, foi a vista para a cidade de Braga… Sem palavras para expressar o que senti…
Igreja de Bom Jesus
Santuário de Sameiro
Nesta quarta embarco para Paris. Provavelmente, a próxima postagem será sobre essa viagem… Detalhe: je ne parle pas le français!!! Vou me preparar para as dancinhas e mímicas! rsrsrsrsrs

► Leia mais...

De malas (quase) prontas

sábado, 12 de setembro de 2009



Neste sábado vou fugir um pouco do costume de evitar falar no blog de coisas, digamos, mais "pessoais"... É que na próxima semana embarco para a Europa, onde vou estudar durante seis meses, através de um programa de intercâmbio. Depois de um período de correria, atrás de resolver questões ligadas à documentação necessária para a viagem e à arrumação de malas, eis que se aproxima o dia.

Penso que não serão apenas seis meses estudando em uma universidade diferente – a Universidade do Minho, em Braga, Portugal. Considero que este é também um momento de crescer enquanto pessoa, uma vez que terei contato com formas diferentes de enxergar o mundo – afinal, esse mundo é muito grande para vermos apenas aquilo que está perto da gente!

Eu, em 2007, numa rua por trás da Universidade do Minho, em Braga

Saudades? Sim. Vou sentir demais. Dos amigos, da família, da minha casa, da minha cama, do trabalho, da universidade... Mas acho que tudo isso vai valer à pena. Espero que a oportunidade me ajude a enxergar coisas que hoje não enxergo com tanta clareza, pois estarei vendo as coisas “por fora”... (Pelo menos foi o que a Aline e a Meire, que voltaram há pouco tempo do mesmo programa de intercâmbio, me disseram que ia acontecer! Meninas, se isso não acontecer vocês vão se ver comigo! rsrsrsrs)

Sábado que vem (19) não publicarei nenhum texto, porque estarei em Fortaleza, de onde embarcarei para essa viagem. O próximo texto a ser postado neste blog será escrito e publicado de lá. Vou tentar manter as atualizações semanais, aos sábados, contando um pouco das experiências que espero viver: dos lugares, das pessoas, dos aprendizados, das minhas impressões... Até lá!

P.S.: Desta vez não deixarei de levar um "T", para usar nas tomadas de lá (entenda isto lendo esta postagem)

► Leia mais...

A (in) utilidade do Twitter

sábado, 5 de setembro de 2009



Criado em 2006, o Twitter tem conquistado a adesão de muitos nos últimos tempos, tanto pessoas comuns, como celebridades e políticos. Só entre os meses de fevereiro e abril deste ano, o número de usuários triplicou no mundo.

Quem cria uma conta no microblog tem a possibilidade de responder, na página principal do serviço, à pergunta “What are you doing?” (O que você está fazendo?). Mas as possibilidades parecem não se restringir às respostas ao questionamento proposto pela rede social...

Confesso que assim que conheci o Twitter, no primeiro semestre deste ano, reagi com certa resistência. Achava que era apenas uma “modinha”, era também algo que me deixava confusa, já que eu não entendia bem a lógica.

O Twitter para mim gerava uma “disfunção narcotizante” – adaptando aqui o termo proposto por Lazarsfeld, que pensa no excesso de informação e de entretenimento como algo que “narcotiza” (ou paralisa) a sensibilidade do público. Para o autor, o bombardeio de informações levaria ao alheamento. O excesso de informação culminaria, afinal, numa desinformação.

Mudança de visão

Como estudante de Comunicação Social e pesquisadora em iniciação científica nesta área, eu não posso ter preconceitos com nenhum tipo de nova forma de comunicação, de mudanças no estabelecimento das relações sociais. O ideal é observar e tentar descobrir como e por que isso se estabelece e ainda em que resulta. Foi a partir desta ideia – e de mudança de pensamento – que decidi criar uma conta no Twitter (a propósito, follow me! @fernandadino).

Diversas possibilidades

Fazendo agora parte desse universo, observo que o Twitter não serve apenas como espaço para que os usuários respondam à pergunta “What are you doing?”, simplesmente. Há várias funções e quem acaba escolhendo ou criando qual vai utilizar é o próprio “twitteiro”.

Há quem recorra ao microblog para se autopromover, como é o caso de políticos ou até mesmo de pessoas comuns que divulgam seu dia-a-dia – se foi ao cinema, que filme assistiu, que livro leu, que hora foi ao banheiro, pra onde viajou ou pra onde vai viajar(ninguém vai revelar informações íntimas por acaso...).

Há quem utilize o serviço para divulgar notícias, como acontece com portais de notícias. Há aqueles que buscam pautas no Twitter, como jornalistas, que seguem perfis de fontes em potencial. Há quem use o serviço para fazer novos contatos na sua área de atuação, de conhecimento ou de afinidade, como acontece com quem gosta de discutir sobre futebol ou fórmula 1. Há até mesmo quem use o Twitter para fazer fofoca e falar mal dos outros.

Escolhas

Ao mesmo tempo em que pode sim gerar uma “disfunção narcotizante” o Twitter pode também ser uma ferramenta útil para quem sabe utilizá-la. Quando o usuário escolhe a quem vai seguir, escolhe também de qual (quais) utilidade (s) irá tirar proveito. Por enquanto, eu, que quase não posto nada no Twitter (geralmente coloco links para este blog... acho então que uso para autopromoção! rsrs) preferi escolher por um objeto a mais para analisar!

► Leia mais...

Teresina recebe mostra com premiados no 16º Festival Internacional de Arte Eletrônica

sábado, 8 de agosto de 2009



Reproduzido de “Revolving Door”, vídeo com 19 minutos,
produzido por Alexandra Beesley e David Beesley ( Austrália – 2006)

Teresina vai receber nos dias 19 e 20 de agosto a mostra Itinerância Vídeobrasil 2008-2009. O evento, que acontece pela primeira vez na capital piauiense, vai exibir trabalhos de artistas premiados durante o 16º Festival Internacional de Arte Eletrônica SESC Videobrasil. As sessões contam com entrada franca e serão na Casa da Cultura, a partir das 18h.

O evento é promovido pela Associação Videobrasil, juntamente com o SESC São Paulo. Em Teresina, é organizado pelo “Coletivo Diagonal” e grupo de trabalho “História, Cultura e Subjetividade”, que realizam pesquisas na área de cinema e fotografia, na Universidade Federal do Piauí.

“A Associação Videobrasil é um grupo de repercussão internacional e atua desde a década de 80. Entre os que já passaram por essa mostra estão Fernando Meireles e Marcelo Tas”, disse Meire Fernandes, uma das organizadoras da mostra, acrescentando que serão exibidos documentários, vídeo-dança, intervenção urbana e videoarte. “Além da mostra teremos a palestra “O Quente é Filmar”, de Durvalino Couto Filho, sobre a produção audiovisual aqui em Teresina”, lembrou.


O objetivo do evento em Teresina é estimular o trabalho local e criar um público na área de audiovisual. “Essa é a proposta do Coletivo Diagonal, incentivar e formar platéia. Percebe-se que a linguagem do vídeo está ganhando um espaço importante no cenário artístico de nossa capital. Podemos notar a partir de fatos como o curso ‘Você pode, Você Faz’, organizado pela ABD-Piauí”, ressaltou Meire Fernandes.

II Mostra Diagonal

Durante a mostra Itinerância Vídeobrasil, será também lançado o regulamento da II Mostra Diagonal, que acontece em novembro deste ano, voltado para a livre exibição de vídeos, no intuito de democratizar o audiovisual em Teresina. “É uma mostra não competitiva, com a finalidade de expor a produção de vídeos no país. A iniciativa vem da necessidade de criar uma porta de entrada para os circuitos audiovisuais e intercâmbio entre os produtores”, explicou Meire Fernandes.

Podem participar produtores em audiovisual, artistas, cineastas e estudantes brasileiros ou estrangeiros. As inscrições serão gratuitas e estarão abertas no período de 19 de agosto a 2 de outubro de 2009, por meio do preenchimento da ficha on-line, disponível no site www.olhardovideo.com, que também será lançado no dia 19 de agosto, durante a Itinerância Videobrasil.
► Leia mais...

Para meu azar e minha sorte, Arnaldo Antunes

sexta-feira, 31 de julho de 2009


O encontro

Era o ano de 2002 e eu estava na 8ª série do Ensino Fundamental. A minha professora de Língua Portuguesa, de nome Evangelina, dividiu a classe em equipes e solicitou a cada grupo um trabalho (valendo nota!) que tratasse sobre o perfil de determinado poeta.

Os trabalhos seriam expostos no pátio da escola, em comemoração ao dia da poesia.

Os nomes a serem pesquisados foram indicados pela professora Evangelina e escritos no quadro a giz (minha escola ainda não possuía quadro de acrílico...). Entre os nomes, Mário Quintana e Vinícius de Morais.

Eu rezei pra que meu grupo ficasse com o Vinícius, mas, para o meu azar, ou melhor, para minha sorte, fiquei com o Arnaldo Antunes. Mas quem é mesmo Arnaldo Antunes? Bom, essa foi uma das primeiras perguntas que eu fiz a mim mesma.

Ainda bem que naquele tempo já tinha internet. Eu e meus colegas recorremos ao Google. E foi lá onde encontramos as fotos de um doido, de cabelo arrepiado, que parecia um ator em um filme de terror – chegava a dar medo.

Os poemas que encontramos eram na verdade músicas. Poemas musicados (ou músicas poemadas?). Alguns versos eram um tanto surreais ou, no mínimo, estranhos, como em O Pulso”, trabalho feito no grupo Titãs.

Do susto que levei ao ver a cara dele impressa em uma das folhas de papel que utilizamos na exposição, fui levada ao encantamento.

Muito menos pela voz dele (mas também por ela) e mais pela genialidade ao brincar com as palavras, pelas construções que fogem totalmente do lugar-comum (ou recorrem ao lugar-comum para desconstruí-lo) e pela emoção que em mim conseguiu despertar, passei a admirar Arnaldo Antunes.

O show

E na noite desta quinta-feira (30), no Theatro 4 de Setembro, em Teresina, o vi de perto pela primeira vez – apesar de ele já ter vindo outras vezes à cidade.

Senti essa emoção de maneira muito mais forte, talvez pelo eco mais intenso da sua voz naquele lugar – e muito mais real que através do áudio das caixinhas de som do meu computador.

Ao seu lado, Edgar Scandurra (ex-integrante do grupo Ira), que não ficou apagado diante do brilho de Arnaldo. Ambos realmente deram um SHOW, com voz, guitarra e muita poesia, apresentando resultados de uma parceria de mais de 20 anos. Aliás, show também quem fez foi a banda Roque Moreira. Dá orgulho ser daqui quando vejo um talento como aquele.

Não posso deixar de ressaltar qual parte foi a mais esperada e emocionante para mim. Foi quando o Arnaldo cantou Judiaria, uma composição de Lupicínio Rodrigues. É que atualmente essa é minha trilha sonora... Além de “Judiaria”, também fizeram parta da apresentação “Música Para Ouvir”, “O Nome Disso”, Lugar Comum, “O Buraco do Espelho”, “Consciência”, “O Silêncio” e “Muito Além”.

E quando o show parecia ter acabado, nem as luzes do teatro se acenderam, nem a plateia levantou. O que todo mundo queria era mais uma música, ou duas, talvez. E atendendo aos pedidos (eu acho que foi até charme deles... o show na verdade não tinha mesmo acabado...), Arnaldo e Edgar retornaram ao palco e cantaram mais duas. A última, “Fora de Si”.

P.S.: Os poemas visuais expostos ao longo da postagem são do Arnaldo. Tem mais arte produzida por ele aqui.

P.S.2: Eu casaria demais com ele!
► Leia mais...

Canção para uma valsa lenta (Mário Quintana)

quarta-feira, 29 de julho de 2009



Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...

Minha vida não foi um romance
Minha vida passou por passar
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...
► Leia mais...

Heróis made in Piauí

sábado, 25 de julho de 2009


Às vezes me pergunto o que a Gyselle Soares fez de extraordinário para o Piauí. Tudo bem, eu até posso reconhecer que ela tornou a Cajuína Cristalina em Teresina mais conhecida, graças ao chamamento carinhoso atribuído a ela pelo nada exemplar jornalista Pedro Bial (este trata os jogadores do BBB como heróis. O que há de heróico naquilo?). Fora isso, não sei o que ela acrescentou de bom para o estado.

(Aliás, cadê a Gyselle mesmo?)

De acordo com o dicionário da língua portuguesa, herói é aquele que se torna ilustre “por feitos de grande coragem”. Já a celebridade, diz respeito, simplesmente, à “fama, renome”, sem, necessariamente, fazer algo de relevante, construtivo.

O que o ocorre é uma confusão entre os conceitos de herói e celebridade, estimulada pela mídia. Essa desordem na aplicação dos conceitos resulta em efeitos como este, de glorificar pessoas que não fizeram nada de representativo. A Gyselle só fez bem a ela mesma. E, diga-se de passagem, contribuiu para a disseminação da imagem do piauiense ignorante.

Assim como a Gyselle, todo dia surgem novos personagens que se tornam célebres, mas acabam recebendo a alcunha de heróis. É o caso da Stefhany (que agora saiu do seu Cross Fox e o trocou por outro carro!). Não que eu duvide do talento musical da moça, longe de mim! Ela tem todo direito de buscar sucesso, o que não pode é a gente atribuir feitos heróicos a alguém que não influi nem contribui para a construção de um Piauí melhor.


Na mesma linha segue o Lucas Celebridade, entrevistado recentemente pela Folha de São Paulo (é sério, eu tenho medo, muito medo!). Ele, que é da cidade de Luzilândia, ficou “famoso” através do seu blog – lugar onde expõe ensaios fotográficos sensuais (?).

Para mim (e para meu professor de Psicologia e Comunicação.. afinal, todo discurso é polifônico!), uma pessoa que poderia realmente ser reconhecida como uma heroína do Piauí é a arqueóloga Niède Guidon, apesar de toda a sua arrogância. Imagino que não deve ter sido coisa fácil lutar contra a má vontade do poder público e a ignorância de muitas pessoas, no intuito de preservar um patrimônio da humanidade, que é a Serra da Capivara e seus sítios arqueológicos.

P.S.: Quem mais pode, realmente, ser considerado um herói no Piauí? Aguardo as sugestões. O espaço para comentário fica logo abaixo... =)
► Leia mais...

Clã - Tira a Teima

quarta-feira, 22 de julho de 2009


Vídeoclipe da música "Tira a teima" do grupo português Clã. Eu achei legalzinha!

► Leia mais...

Lágrimas não me convencem

sexta-feira, 17 de julho de 2009


Parece que chorar diante da imprensa se tornou moda nos últimos tempos em Teresina. Primeiro foi o prefeito da capital, Sílvio Mendes, ainda durante o caos provocado pelas chuvas.


Depois, o secretário de Turismo do Piauí, Sílvio Leite, chorou ao pisar no “solo sagrado” do aeroporto internacional (?) de São Raimundo Nonato. O choro foi transmitido ao vivo pela manhã e reprisado à tarde. O close feito pela câmera enfatiza ainda mais o rosto “emocionado”.

O engraçado, é que as duas situações citadas acima ocorreram no mesmo canal de televisão, em Teresina. Ambos choraram “ao vivo”, para “deixar evidente” que não era uma encenação. Mas era sim.


Para mim, o choro, o colocar-se como vítima de uma situação ou emocionado diante de outra, é uma estratégia discursiva com o intuito de conquistar a adesão do interlocutor – no caso, quem assiste ao programa de TV: o cidadão comum, jornalistas e, inclusive, os demais políticos.

Outro que adotou esse tipo de estratégia foi o antes desconhecido Érico Luís Araújo, que se tornou personagem midiático com a confusão pela retirada dos camelôs do centro de Teresina. Ele, que se identificou como membro da Comissão Independente que Analisa o Processo de Remoção dos Camelôs, chorou no dia 25 de junho, em entrevista a um portal de notícias.

Acho muito pouco provável haver sinceridade num choro que se faz diante das lentes da mídia – este, um local de trocas e disputas de interesses, articulados discursivamente. Definitivamente, lágrimas não me convencem. Não mesmo.
► Leia mais...

/